quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

29-6-16



O sentimento hoje é de medo.

Medo de não saber o que ele está pensando. Antes me incomodava, mas não me preocupava. Hoje me assusta. Depois de tantas coisas ditas eu simplesmente não consigo confiar plenamente no que ele está dizendo, quando o assunto refere-se a mim ou ao casamento.

Não sei se enquanto ele me abraça ele está pensando em nós com esperança ou se está se sentindo preso num relacionamento da qual ele deve por algum motivo manter. Talvez gratidão, talvez bom senso pelo momento dele, talvez por piedade mesmo. Eu tento confiar. Tento pensar positivo. Mas há momentos que eu não consigo. Não sei confiar do jeito que era antes.

Tenho medo de estar aqui pensando que tudo ficou calmo e voltou para o campo da esperança e ele estar lá em casa mexendo no computador em coisa que não deve. Falando com alguém. Se satisfazendo sozinho. De pensar meu coração doi, acelera, minhas pernas enfraquecem. Sinto vontade de sair daqui e voltar para casa e novamente pressioná-lo. Novamente perguntar as mesmas coisas. Uma ânsia de que em uma destas vezes ele me prove, que o espírito santo desça nas palavras dele e ele conforte de verdade no propósito de que irá tudo ficar bem entre nós em breve. Porque até agora isso não aconteceu. E eu falo cheia de dedos, morrendo de medo dele explodir e confessar que tudo isso é uma mentira, que ele quer ir embora, mas que eu não deixei.

Até me arrependo. Eu deveria ter deixado. Deveria ter deixado desta vez. Não deveria ter implorado em nenhum momento, pedido, chorado, nada... Deveria ter deixado ele ir sem me preocupar onde é que ele ia ficar e como seriam as coisas. Deveria ter ficado só no apartamento, ter chorado, ter levantado a cabeça e ter colocado as coisas dele em sacos plásticos e no mesmo dia ter entregado na casa de alguém.  E não ter mais falado com ele, ter pedido para outras pessoas intermediarem a conversa de separação. Ter sobrevivido. E deixado ele ir, ficar livre para a Naiara, para ficar em paz, para dormir na cama dele que ele sempre me jogou na cara que não havia esquecido. 

Eu iria perde-lo. Mas pelo menos não teria descoberto tantas coisas ruins que vão me acompanhar pelo resto da vida. Teria me humilhado menos. Poderia ter tomado calmantes, pedido uns dias aqui e ficado de cama, até cair a ficha de que ele tinha se separado de mim.
Quantas humilhações você me fez passar! E eu não mereci tanto assim essas coisas... Eu não mereci. Quem te deu o direito de fazer isso comigo, depois de tudo o que fiz por você?

Hoje o clima não está bom. Depois do desentendimento de ontem, porque tentei simplesmente fazê-lo relaxar um pouco, ele novamente usou o truque de me fazer gozar sozinha só para me “acalmar”. É até feio, triste, humilhante... Eu não deveria ter aceitado. Ele disse que partiu dele a iniciativa. Mas eu não deveria nem ter começado. 

Eu não sei o que faço.

Se eu simplesmente deixo a coisa “passar” em branco vamos voltar novamente para a MESMA situação de antes. Eu vou ficar na vontade e ele vai procurar outra pessoa. Ele disse que não pensa, mas se não pensasse ele não veria vídeos e não teria ido na casa daquela desgraçada para comê-la. A terapeuta diz que ele conseguiu, ele disse que não.... Mas acredito mais nela. Acredito. Porque pode não ter conseguido na 1ª. vez, mas pode ter conseguido na 2ª. tentativa. Quem os impediria disso? Se estavam sozinhos, se eu nunca o flagraria porque estava longe pra caralho desse ato vil. 

Estou insana. Meu coração dói. Não consigo trabalhar novamente. Dói demais, demais, demais. Ele está mentindo pra mim. Disse ontem mesmo que não consegue comigo, que o pau dele não sobe comigo. Que não consegue fazer nada. Que não pode fazer nada. 

Conversei cedo com ele... Um monte. Usei da melhor psicologia. Parece que entrou num ouvido e saiu no outro. Nada, absolutamente, nada o abala. Nada toca fundo nele mais. Já tentei falar de todas as formas... Nada faz com que ele desperte.

Eu acho... Com muita dor... Que isso não tem mais jeito. Que isso não vai se resolver. Que a situação morreu de uma forma que ele não quer mais ressuscitar. Ele diz que quer, mas eu não acredito. Quem quer para mim tenta. Quer quer para mim tenta passar a mão sozinho em locais para reencontrar o caminho. Quem quer não faz a cara que ele fez ontem quando disse que queria que ele tomasse banho para que eu pudesse massageá-lo. Ele riu. Já vi que ele pescou a ideia e se preocupou, ao invés de querer tentar. Queria perguntar se eu veria tv. Tudo para escapar da mulher da qual ele tem nojo.

Não quero permanecer num casamento sem sexo. Só amor não basta. Porque isso é importante para ambos, diferente do que eu pensava antes. Antes eu achava que ele não queria de jeito nenhum. Mas até me trair fisicamente ele traiu. Então ele quer. Ele quer. E não quer comigo. 

Não quero ser chifruda mais uma vez. Não quero apenas um casamento para ficar casada com alguém que pensa em outra. 

Eu não quero nem estar aqui. Não quero trabalhar. Até dar o horário da terapia para eu ver o que vai acontecer... Meu Deus. Aí penso que amanhã ele vai. E pode confessar o sacrifício que está fazendo para permanecer casado, neste casamento indiano forçado. Vai falar que pergunto toda hora se a situação está boa. Que choro todo dia. Que vira e mexe estou tendo crise e questionando as coisas. Mas o que eu posso fazer? Eu ainda to sangrando. Segurando um lenço pequeno em uma ferida aberta que sangra cada vez que ele fala algo que não soa bem ou me faz me recordar do que ele falou ou fez. Cada vez que ele me rejeita, que vejo que ele não tá afim, isso me faz sangrar. Isso me faz duvidar que isso vai se resolver. Só carinho não basta para ficarmos casados. Só abraços não bastam. Porque quando a necessidade física vier, ele vai curar com outras pessoas. E eu? Se eu tiver que curar com outras pessoas... Eu não mereço viver assim. Isso não é vida, não é. 

Por que isso não se resolve? O que fiz para ter uma situação tão vergonhosa assim em meu casamento... Quem vê eu falando parece que eu sou uma devassa... Uma mulher vulgar que só pensa em sexo, que não tem pudor algum e que só penso nisso. É assim que ele me faz sentir.

Por que não somos normais? Eu pedi tanto por esse casamento... Pedi tanto. Só queria ter uma vida a dois de companheirismo pleno. Sei que teríamos dificuldades. Mas eu não imaginava que a situação fosse ser tão lamentável assim. O que nos falta é isso. Podemos ser bons um com o outro, podemos ser compreensíveis e carinhosos... O que nos falta é isso. É ter uma noite inteira de contato pleno, de conclusões. De correr o risco de ficarmos grávidos. Desestressar os problemas com prazer. 

O dia que ele me procurar acho que vai ser o dia mais feliz do mundo para mim. Mais do que se eu publicar meu livro. O dia que ele falar vou gozar e gozar em mim eu vou me sentir a mulher mais útil do mundo.  Como eu, que sempre fui uma mulher ativa e inteligente cheguei neste ponto? Que crime cometi para me ver com sonhos tão pequenos desta forma? O que eu fiz? Eu me descuidei e não posso me descuidar mais. Preciso crescer com mulher, ser mais vaidosa. Mas isso vai adiantar para ele? Vai atingir a ele, a pessoa que desejo amar? E se não atingir... Eu vou esperar mais quanto tempo? Me enganar por quanto tempo? Sentindo-me uma criminosa, uma puta, por querer fazer amor com ele? Para daqui 3 meses ele falar que não dá mais? Que tentou, mas não conseguiu me amar novamente? Depois de eu agradar família dele, de emagrecer, de ficar passando vontade de comer as coisas, de ficar me arrumando, de ficar bancando ele em casa, de pagar passeios.

O que meu mentor fala para mim agora?

Camila, você nem começou a terapia ainda. E já está dizendo que não vai dar certo? Você só emagreceu 21 kgs, engordou gramas novamente e já se sente tentada a fugir da dieta. Você ainda não tentou, ainda não orou e ainda não procurou o centro para buscar uma solução espiritual. Ainda tem 20 kgs pela frente. Ainda tem que criar uma rotina de se cuidar, de mudar de visual. Ainda tem que conviver com a família dele e com os amigos. Ainda tem que apoiar ele de coração no seu projeto de moedas. Não temos 2 semanas de trabalho. E estamos querendo corrigir 5 anos e meio. Se você não mostrar que mudou, como ele vai tirar a imagem que tem de você? 

Faça-o se esforçar, mas por querer, não porque está pedindo. Se ele tiver que ir, você vai estar preparada. Esteja preparada. Agrade-o hoje. Acompanhe-o hoje. Não pense no amanhã. Amanhã você recomeça os cuidados diários. E assim um dia por vez. Sem falar de futuro. Sem falar de “para sempre”. Viva o dia de hoje. Amanhã você vai viver o dia de amanhã. Deixe com que ele faça planos com você. Deixe-o. Ele tem que tomar a iniciativa por querer tomar, não porque você chora ou implora. Se ele tiver que ir, ele irá. E você não vai impedir. Só pode dar motivos reais para ele não ir, caso ele não queira. Calma. Não precisa confiar plenamente, mas não pense mais nisso. Para seu próprio bem.

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