quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

28-6-16

Uma coisa é fato, ninguém quer saber de verdade dos seus problemas.

Hoje não estou muito bem. Até sai bem de casa, cheguei "bem". Aí do nada me lembrei dele me falando que "o problema é que a história do Amaury confundiu ele e o fez se precipitar comigo", algo assim, não lembro das palavras exatas. Mas dando a entender que a história meio que o forçou a querer fazer algo por mim. Que talvez não fosse aquela a vontade dele, a de ficar comigo. E eu que achei tão bonita a história dele de me pedir em namoro prometendo que nunca me deixaria passar frio. Achei que era uma prova de que tinha encontrado uma pessoa boa para conviver.

Como conseguiu me enganar por tanto tempo? Falar eu te amo por tanto tempo, sem sentir isso plenamente? Joga por terra tudo o que ele falou ao longo desses anos, que eu já não sei mais se foi verdade e se perdeu, se nunca foi verdade ou se foi verdade e ele falou essas coisas agora de boca para fora.

O que dói é isso. É não saber mais nada de verdade sobre os sentimentos dele. Não saber se enquanto ele me abraça, se ele está comigo ou está pensando "tenho que suportar porque preciso ser grato". "Tenho que aguentar mais um pouco até o serviço sair e eu poder me mudar daqui". "Tenho que aguentar até o pai dela morrer, assim ficamos quites". As vezes quando ele suspira forte, eu fico com uma dor no peito. Medo do pensamento dele. Medo de estar sendo vista como uma coitada da qual ele precisa suportar mais um pouco. Medo de todos esses carinhos como "minha princesa, meu amorzinho, meu bebezinho" ser apenas um sentimento de pena de alguém a qual ele julga fraco demais para suportar o rompimento que ele deseja.

Frases que ficam girando na minha mente:

"Sinto-me num daqueles casamentos indianos forçados".
"Ela precisa deixar de ser tão apaixonada assim por mim, eu não pedi isso".
"Eu enjoo fácil".
"Eu não posso te oferecer mais nada do que isso, do que amizade".
"Eu não quero ficar com você".
"Não está dando certo"
"Eu gosto dela"
"Não tem jeito, ela mora longe, vou ficar viajando?..."
"Eu não queria me casar".
"Eu não nasci para ficar com alguém".
"Eu não vou cair nesse truque"
"Você precisa ter mais amor próprio"
"Eu gostaria de me apaixonar por você, porque não sou mais".
"Eu só posso te oferecer até aqui, não consigo ir além".

Como vou acreditar nele? Se ele pode ser apenas um preso "conformado" com a pena de se manter casado no momento até conseguir um novo julgamento. Se ele pode estar fazendo um grande sacrifício de me abraçar e dormir do meu lado, sem demonstrar o nojo que pode sentir de mim? Se isso é só mesmo um tempo que ele está dando até achar uma oportunidade de escapar. Não sei mais. Não consigo acreditar. Até tento. Ontem a noite pareceu que a vida tinha voltado ao normal. Mas hoje veio esses pensamentos, esse sentimento ruim de sobra, de alguém que está mendigando amor de alguém que acreditava ser recíproco, de alguém que tinha certeza que tinha caráter. Coisa que ele não teve comigo. Mentiu muito durante todo esse tempo, mentiras graves. Como ele pode, meu Deus, logo ele? Logo ele? Que confiei minha vida, minhas senhas de banco desde cedo, que coloquei dentro da minha casa, dentro do meu serviço, como ele, justamente ele, pode ferir tanto assim minha confiança e meu sentimento?

Será que fui tão desprezível assim que não mereci ser amada de verdade em nenhum momento, sem ele achar que tinha que ser o salvador da pátria para me suportar só para esta "coitada" não ficar sozinha chorando pelas pessoas que já a tinham machucado? Eu errei muito, muito mesmo. Mas eu também não tinha a fórmula mágica de fazer dar certo sem passar por nenhuma dificuldade. Eu não tinha a obrigação de acertar tudo sozinha.

E os meus medos? E as minhas desconfianças? E o sentimento que eu também tive de "não posso deixar ele passar por isso sozinho, posso ajudá-lo, posso amá-lo, posso fazer isso dar certo". E as vezes que eu o vi como alguém que eu precisava suportar, porque tinha dado minha palavra, que não poderia abandonar em nenhum dos vários momentos difíceis que ele passou?

Tem outra que me lembrei. A minha síndrome do pânico. Quando ele me conheceu, eu estava no ápice da minha crise. E achei que ele queria me ajudar a passar por isso. Me ajudou. Mas hoje vejo que isso também deve ter sido um "drama" a mais que o forçou a ficar comigo. Algo a mais para juntar na pena para com aquela gordinha feia que trabalhava na Vale.

Como é difícil pensar em tudo o que passamos juntos e não saber mais o que foi real...

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