Talvez eu saiba o que aconteceu, mas ainda não entendo o
porque chegou nesse ponto, se poderia ter sido conversado ou alertado bem
antes.
Não vou negar que estou destruída, abalada, decepcionada,
envergonhada, constrangida, violentada, enganada, julgada, ofendida, enciumada,
destituída, descrente, desconfiada e desanimada. Eu não pensei que pudesse sentir tantos
sentimentos em uma única vez.
Já tivemos problemas. Já tivemos discussões. Mas depois que
ele começou a falar que “não estava dando certo” eu comecei realmente a me
preocupar. E esta frase é para mim hoje a pior que existe no mundo. Porque joga
por terra todos os esforços, por mais tortos que foram, que eu fiz em prol dele
e do nosso relacionamento.
Sinto-me num poço de ingratidão. E acredito que amor é
gratidão também. Você respeitar a pessoa pelo o que ela é e o esforço que ela
faz por você. E eu fiz. Tenho apoiado em diversos momentos. Quando eu o
conheci, ele não tinha um emprego fixo. A situação em sua casa era a pior
possível. Mal tinha roupas. Não dirigia, não tinha carro. Andamos de ônibus
várias vezes. Paguei contas. Comprei roupas. Nunca exigi presentes, apenas
bilhetes e palavras. Aceitei o estrabismo dele, ajudei com que encontrasse um
emprego, estive lá quando ele operou do olho, aceitei quando soube que a ex
dele tinha tido o filho que ele dizia que ela perdera. Aceitei quando começaram
as desculpas para não se ter contato físico íntimo. Aceitei o desaforo da mãe
dele quando tentava salvar o seu emprego, suportei a pressão no meu próprio
trabalho para que ele também pudesse ganhar seu próprio dinheiro. Ajudei no que
eu pude com a doença do pai dele. Aceitei quando ele foi rude na hora de
comprar a nossa aliança de noivado. Perdoei tantas vezes. Acreditava que isso
era prova suficiente para manter o nosso relacionamento, para fazê-lo forte. E
eu estava enganada.
Não foi a falta de emprego. Com o luto do pai recente e
ainda trabalhando, ele foi procurar uma pessoa em outra cidade, sendo que
sempre me garantia manter-se em compostura. Eu acreditava. O que me doi e muito
é isso. Eu acreditava. Achava que ele era um santo, alguém acima dessas
fraquezas e canalhices humanas.
Dói muito, doi demais pensar nele xavecando uma pessoa,
sabendo que eu estava em casa preocupada com ele. Sem dormir direito enquanto
ele viajava. Eu não dormia direito. Me preocupava tanto com seu bem estar. E
ele se envolvendo com uma mulher qualquer. Diz que falou com ela uma semana,
arquitetou o encontro na próxima semana, decerto até comemorou ter audiências
para lá, ficou ansioso por viajar... Hoje penso que ele falava que adorava
Uberlandia. Me rasga, me fere, me destroça imaginá-lo na porta da casa desta
vagabunda, desta desgraçada, fazendo xaveco e aceitando para entrar, indo em
farmácia comprar preservativo... Tirando a roupa.
E eu, onde eu estava?
E eu, onde fiquei nisso?
Eu estou errada de querer dar uma chance. Se eu analisar
tudo o que ele já me fez sofrer, ele não merece. Estou destroçada e sei que ele
nunca vai entender a minha dor. Tenho os meus erros, sei que relaxei, sei que
fisicamente estou um trapo, não apenas por estar gorda, mas descuidada, sempre
com as mesmas roupas velhas e sem nenhuma produção. Sei que já o humilhei muito ridicularizando seus sonhos, deixando de ouvi-lo e impondo minha vontade em muitas
vezes... Sei de tudo isso. Mas eu, por mais que tenha pensado ou sentido
vontade, eu não fiz isso. Por mais que também veja vídeos ou tenha um
brinquedo, só fiz isso porque ELE não me acompanhava. Hoje sei que estar gorda
foi uma prisão. Foi. Se eu tivesse legal, talvez teria sido eu a trair. Teria
sido eu a pular fora desse relacionamento que eu sempre me doo mais do que ele.
Ele me acorrentou nessa gordura. E buscou o seu escape fora enquanto eu fiquei
na jaula da vergonha, do medo, da insatisfação.
Essa mulher é melhor do que eu? Ela não é, eu duvido. Diz
que só estuda, tem 10 anos a menos do que eu. Diz que é loira. Mais ou menos
magra. Uma voz de biscate. O que mais me dói? Ela sabendo da minha vida.
Sabendo que meu pai tá doente, sabendo que passei mal e ainda dizendo que
“falou para ele” que era algo que eu tinha comido. Veio me dar conselho,
dizendo que era para eu entender que o meu casamento tinha acabado. Só faltou
eu ter “amor próprio”. Ela, que não passou por NADA do que eu passei com ele, por
NADA, dizendo que eu tinha que entender...
Quando passei mal, ele não demonstrou importância.
Demonstrou irritação. Queria dormir. Mandou eu ficar deitada. Quando acordo,
vejo ele vendo pornografia. Em todos os dias, tinha que ser mesmo naquele? Onde
estava o mínimo de respeito pelo ser humano doente em cima da cama, tendo que
ir trabalhar no outro dia? Onde estava o mínimo de carinho, o resto de afeto
pelo ser humano que por muitas vezes segurou a mão dele para que não caísse?
Fiquei abalada. Levemente esperançosa no início, por um breve momento, que
aquilo fosse o início da “cura” do problema da falta de interesse. Aí ele vem
me dizer que via. Que sozinho... Conseguia. Que o problema era eu. Que comigo
não queria. Pergunto para ele “você quer ficar comigo” e ele diz “não”. Passo
mal. Muita dor. Me humilho, peço chances, imploro. Ele descontente, irritado,
enfadado. Deixo mensagens. Peço para ele refletir sobre nós. Prometo mudanças.
No sábado de manhã peço para ver o celular, ele corre.
Eu já sabia que era medo.
Aí me confessa que estava conversando já 2 meses. Que era só
conversa. O caos. Diz que eu tenho que entender que não dá mais. Que não pode
me oferecer mais do que amizade. Caos. Fala que vai embora, meus irmãos entram
no meio. Volta. Aí acaba me confessando que esse caso de dois meses ia fazer 1
ano. Que a beijou. Quando? Quando viajava. E vem me dizer que tentou dormir com
ela. Quase 1 ano conversando com essa desgraçada nas minhas fuças.
Onde eu fiquei? Dando força. Perdeu o serviço, estava eu lá
dando força. Meu dinheiro, seu dinheiro.
Eu não tenho palavras. Ele não me merece. Não sei mais o que
sinto. Se é amor, se é pena de saber que se eu o deixar ir, ele pode cair logo
mais. Se é desejo de reconquistá-lo para meu próprio ego, de provar a mim mesma
que sou capaz. Se é medo de ficar sozinha. Se é tristeza em ver as pessoas
falando mal dele para mim, como tentaram fazer logo de imediato. Se é por saber
que ficarei encalhada depois disso. De saber que não darei conta de morar na
mesma casa que construí junto com ele. De não querer voltar para casa da minha
mãe depois de ter tomado esse passo. De ser separada. Das pessoas falarem de
mim, do nosso fracasso. De descomprimir uma missão espiritual. De vê-lo na
ruína. Ou de vê-lo bem, sem mim.
É muita dor. Uma sensação de que não poderei nunca mais
confiar nele, por mais que eu queira tentar confiar. De nunca mais acreditar no
“eu te amo” que ele me disser, sem saber se é forçado, se é no momento e se no
outro dia ele será retirado. Se ele esconde mais coisas dentro de si. É muita
decepção junta. Não consigo conceber destruir do que consertar. Talvez minha
visão religiosa me atrapalhe, mas acho mais humano tentar, abrir o coração e
ser sincera. Eu fui demais. E ele?
Falando para mim que eu deveria ter mais amor próprio.
Chegando a rir nos meus momentos de desespero. Um verdadeiro monstro que eu não
imaginei que ele pudesse chegar a ser comigo. Cruel. Frio. Insensível. Pedi um
abraço um dia em meio ao desespero e ele falou “não vou cair nesse golpe”.
Meu medo é maior. Mas sinto vontade de terminar com ele. Ter
a coragem de terminar só para ver se isso realmente o faria acordar para a
tragédia que ele provocou. De ver ele realmente apavorado em ver a separação
acontecendo. Correndo atrás de verdade. Para eu ter certeza de que essa
tentativa da qual ele diz é de verdade, é o que ele quer. Como vou saber? Tenho
medo de aceitar isso e isso fazer com que ele se sinta livre e venha com aquele
papo de “foi melhor assim” como o Rafael fez comigo. Achei que ele ia correr
atrás e ele correu de mim. Com o Rafael eu lutei pouco. Meu trauma de lutar
pouco me faz ser assim com ele hoje. Medo de entregar meu relacionamento para o
outro decidir por nós e eu ficar arrasada, destroçada.
Isso não é um namoro. Não é tão simples assim. Temos coisas
juntas. Dinheiro envolvido. Nome. Papéis. Coisas que compramos juntas que tem
significado. Um nome de casal perante a sociedade. Dívidas. Endereço
compartilhado. Senhas. As pessoas sabem que somos casados. Perguntam dele para
mim. Minha sobrinha chama ele de tio. É melhor destruir do que tentar salvar?
Ele diz que o objetivo é se apaixonar por mim novamente.
Porque hoje ele não é mais.
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