quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Você sempre se achou melhor do que eu...

Essa semana eu fui na terapia... Você foi segunda e eu na terça. E adivinha... Você tinha contado um monte de meias verdades para a terapeuta...

Veio falar que deixou de ter vontade de transar comigo porque o seu sentimento mudou quando eu te contei a história do rapaz que amei e que tinha morrido num acidente de carro... Que sentiu que mudou a diversão e animação e virou um sentimento na obrigação de cuidar...

Ah, vá se ferrar Leonardo. Você mente para os outros e mente para si mesmo, pelo visto... Esqueceu de como tudo aconteceu?

Você se esqueceu do antes e do depois disso e eu tive que contar para a terapeuta. E ela ficou em choque como você MENTE, mente para ela também...

Ficou com dó de mim? Ah, faça-me o favor.

Você se recorda que quando eu te conheci, no outro dia não quis sair com você? Se recorda que na quinta seguinte, eu não tava mais afim de continuar e você veio com o drama que tinha até "escolhido uma roupa" para me encontrar? Se recorda que você estava implorando na boate para me levar para a casa do Tom, para fazer algo até ousado do que tradicional? Que VOCÊ e não eu veio falar na praça que me amava? Eu falei "você está sendo precipitado" e ai você veio desconversar, meu queridinho... Eu não ia te ver NUNCA mais, simples assim, ia seguir com minha vida... Você me ligou de noite para querer vir me confundir, eu te dei um passa fora isso sim! Contei sobre ele para você ver que eu não ia sofrer mais por coisas pequenas, como você representava para mim, porque já tinha sofrido muito com algo muito mais sério! Você acha que eu te contei isso para te prender? Contei para você cair fora de uma vez!

Se recorda que no outro dia, sexta, dia 2 de junho, você me ligou IMPLORANDO para me ver? Que eu não queria te encontrar de noite depois da escola? E que você, não eu, veio me falar que me amava... CHORANDO no posto de gasolina e me pedindo em namoro? Você não me deu nem chances de pensar se queria aceitar ou não, você me pediu aos prantos...

Eu Leonardo? Eu que corri atrás de você? E ai você foi mentir para a terapeuta que deixou de sentir atração por isso... Qual é! A gente foi transar dia 24 ou 25 de JULHO! mais de um mês depois! E tudo ocorreu normal até janeiro de 2011! Foi aí que você veio com a sua conversa de que me via "diferente agora, como uma amiga". Lá na praça 15, o que eu falei para você? VAMOS SEPARAR ENTÃO, porque eu não quero isso, não namoro para isso, vamos ser amigos então... E o que VOCÊ fez? Disse que não, que me amava, que tudo ia ficar bem, que isso ia passar... Dois meses depois, olha você novamente, falando isso ali na rua do pasteleiro, mal tinha entrado no serviço que EU te ajudei... E você veio falar isso, eu falei VAMOS LARGAR então! e você fez o que? Chorando no meio da rua veio me enfiar um clipes no dedo dizendo que estava me pedindo em casamento...

Sério mesmo que você foi mentir para a terapeuta, usando um motivo tão ridículo para justificar tudo isso que me fez passar? Tenha a santa paciência... Você deveria anotar as coisas (de agora em diante né, provavelmente nos separamos) para você não tentar contar mentiras para si mesmo e para os outros, porque você não se lembra do que faz.

E nem o que os outros fazem para você... Por isso que você é tão ingrato assim. Ingrato ao extremo... Que vergonha.

Você chegou do trabalho agora, eu fui falar para você que justifiquei a minha ausência no curso da quadrangular porque sou espírita e você é ateu e você gritou comigo... Disse que não é para eu falar isso pros outros. Cara, você não assume NADA que você faz? Será mesmo que a mãe do seu filho sumiu ou você que não quis assumir? Tenho dúvidas de tudo o que já me contou... Você fez questão de destruir TODAS minhas lembranças antes de 17 de junho de 2016... TODAS.

TODAS.

E recentemente destruiu até as primeiras, as iniciais... Tudo. Me pergunto porque você não errou aquela esquina... A gente não teria se conhecido. E você estaria tão bem... Naquela vida maravilhosa que tinha, feliz... Não é mesmo? Maldita hora que você me conheceu e tudo de ruim te aconteceu, não é mesmo? 

Desculpe por não ter sido categórica e ter dito que NÃO queria te conhecer. Quanto sofrimento eu teria poupado.

Minha irmã que é culpada. Eu falei que você era um menino, que era pobre e tinha uma cara estranha... E sabe o que ela falou? Dê uma chance ao caráter dele. E eu dei.

E quebrei a cara... Quebrei muito a cara.

Que pena, Leonardo. Que pena amor.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A carta para a amante

Leia, Leonardo. E imagine o que eu senti quando você me traiu.

Mulher escreve carta para amante do marido para superar traição: relato viralizou 

A escritora australiana Carlie Maree passou por isso. Ela recebeu um e-mail da amante de seu marido com todos os detalhes da relação extraconjugal, se separou e esperou cerca de um ano até escrever um grande relato em seu blog pessoal sobre tudo o que aconteceu. “Meu marido tinha terminado o affair, e essa mulher com quem ele saiu por mais de um ano decidiu contar para mim todos os detalhes sórdidos, para se vingar dele por ter deixado ela”, comentou Carlie em entrevista ao Daily Mail Austrália. Apesar da carta ser escrita para a amante do marido, Carlie diz que o desabafo em seu blog foi essencial para ela mesma. “Escrever tem sido uma parte importante da minha melhora. Não desejo mal a ela”, comentou durante a entrevista.

Confira a carta na íntegra:


“A melhor amiga da minha filha tem o mesmo nome que o seu, ou seja, é um nome que eu escuto com frequência. Eu ficava abalada ao ouvir o seu nome. Ela é uma garota doce, no entanto. Toda vez que eu escuto minha filha falando do quanto ela se diverte com ela, eu preciso admitir que fico grata por ela estar falando da amiguinha, e não de você. 


Há um ano você apertou ‘enviar’ num e-mail que teve um efeito monumental na vida de diversas pessoas. Minha, na do meu marido, na da minha filha, dos nossos pais e familiares, dos nossos amigos. Eu costumo pensar no que estava passando pela sua mente naquele momento, o quanto este e-mail foi uma vingança contra um homem que partiu seu coração e no quanto você teria pensado em fazer a coisa certa pela esposa dele. O nível de detalhes que você relatou na mensagem… Ela parece ter sido escrita para causar dor. Você sabia o que uma esposa precisaria ouvir para chegar ao ponto em que ela não voltaria para o casamento. E você disse tudo, palavra por palavra. 


Eu me pergunto o quanto você sabia sobre mim. Eu sei que você me procurou na internet, leu meu blog, viu as minhas fotos. Eu me pergunto se você sabia que eu estaria no trabalho no momento em que recebi o e-mail, com o título enigmático de ‘seu marido’. Sim, é isso que ela era e, tecnicamente, ainda é neste ponto, meu marido. Eu imagino se você se refere a ele como seu ex-namorado. É bizarro imaginar que um homem que eu conheço tão intimamente tivesse outra pessoa importante em sua vida que eu não conhecesse


E, honestamente, eu não sabia. Eu provavelmente deveria saber. Eu definitivamente perguntei para ele, mas, no fundo, eu jamais imaginei que isso poderia acontecer conosco. Nós éramos sólidos como rocha, eu e ele. Eu realmente acreditei nisso. Nós tínhamos um bebê de seis meses de idade e ele estava sempre no trabalho. É claro que tudo era difícil e nós não estávamos conectados como antes, mas eu precisava que ele estivesse por perto, até ficar mais fácil. Ele teria ficado, eu acho, se você não tivesse aparecido naquele momento. 

Eu não estou interessada em apontar dedos e eu não me vejo como uma pessoa capaz de sentir ódio. Eu não me importo de quem é a ‘culpa’. Eu realmente acredito que tudo acontece por um motivo e que há lições que precisamos aprender. Eu posso imaginar o que esse caso representou para você, vivendo numa cidade pequena. Uma noite, um rapaz bonito entra no bar para um drinque. Ele pode ser engraçado e charmoso, meu marido. Eu posso imaginar como você se apaixonaria por ele. Toda noite que ele entrava no bar ele contaria como é difícil ter um bebê em casa, como ele não estava recebendo muita atenção. Tudo o que você precisava fazer é ouvir, lhe dar o que ele dizia que eu não era e, fácil assim, ele seria seu. Eu entendo, eu me apaixonei por ele num bar também.

Às vezes, eu me pergunto o quanto disso era ele tentando encontrar o que ele perdeu em mim. Eu já fui uma mulher loira numa minissaia atrás de um bar no endereço favorito dele. Dez anos depois, eu era a mãe na calça de ioga com raízes brancas e olheiras por ficar acordada à noite inteira com um bebê doente. Ele deveria amar essa versão minha também. E ele amou, mas ele sentiu falta da garota que não tinha nada além de tempo para dedicar a ele. E foi isso que você entregou.

Eu estou satisfeita, de certa forma. Eu me senti mal por ele passar todas essas noites sozinho num hotel, longe da família. Mas ele não estava sozinho. Ele estava com você. Ele passou o aniversário dele com você. Você o confortou quando ele precisou sacrificar o nosso amado cachorro de estimação. Eu amo este homem e fico feliz que ele possa ter encontrado amor nestes momentos, apesar de não ser da fonte que eu gostaria que ele tivesse encontrado.


Como o velho clichê, eu acreditei que ele me deixaria por você. Mas ele não deixou. Ele a deixou na mão. Nossa filha ficou mais velha, parou de amamentar e começou a dormir. Ele voltou a ver a mulher pela qual ele se apaixonou anos atrás. Ele queria que desse certo, com a sua esposa, com a sua família. Eu aposto que ele machucou você. Você tinha uma escolha. Você poderia deixá-lo seguir em frente e dar uma chance para o casamento, ou você poderia tirar tudo dele. Você escolheu a segunda opção. 


Nós tentamos encaixar as peças, mas não deu certo. Era diferente. Foram os pequenos detalhes que terminaram com tudo. Aquelas palavras e imagens bordadas na minha mente. Eu acho que você sabia o que elas fariam. Nós dois estamos bem agora, no entanto, eu e ele. Na verdade, nós estamos mais próximos do que nunca. Nós aprendemos tanto sobre nós mesmos durante o processo. Apesar de termos seguido em frente, nós ainda amamos e respeitamos um ao outro, o que é um efeito positivo para a nossa filha. Ninguém jamais quebrará isso. 


Eu espero que você tenha seguido com a sua vida também. Eu espero que você tenha aprendido com essa situação e que você possa encontrar paz consigo mesma, assim como eu consegui".

https://www.vix.com/pt/bdm/comportamento/522648/mulher-escreve-carta-para-amante-do-marido-para-superar-traicao-relato-viralizou 

E se tivesse sido eu, Leonardo, a te fazer tudo isso? Eu, que tivesse achado você chato e desinteressante, sem perspectiva... Feio. E tivesse, enquanto você estava lá me apoiando, sofrendo de saudade de mim enquanto viajava, pensando no meu bem estar físico de ficar dentro de ônibus correndo risco de vida... me deitado com outro homem pobre, numa casa pior do que a nossa... Feio. 

Se eu tivesse tido mais dó desse fracassado, que me levaria para o buraco, me engravidaria e me daria dor de cabeça, do que de você, o marido que estava trabalhando, que tinha me ajudado a encontrar um bom emprego e que eu tinha perdido... Você trabalhando enquanto eu ficava em casa usando da internet que você pagava para ver pornografia e acalentar o sofrimento deste homem... Sem pensar no seu. 

Na sua inocência dormindo cansado, você fazendo comida para mim depois de ter aberto mão de lua de mel por conta do meu pai doente... De ter sido o primeira a ficar ali, na porta da sala do velório, esperando  meu pai chegar para ele não se sentir sozinho enquanto eu fiquei em casa para descansar. De ter me ajudado a entender com minha família como ia ficar a situação da minha mãe e irmãos na ausência do meu pai... Você me olhando triste por eu viajar na véspera do seu aniversário. E enquanto você chorava sozinho em casa, sentindo falta de mim, eu me arrumava e ia para o shopping encontrar um novo alguém... Para satisfazer em mim algo que EU não queria mais procurar em você. E ai eu cheguei desempregada... Com uma traição nas costas e você foi humilhado no serviço por minha causa, mas chegou e falou para mim que tudo ia dar certo, que você ia me ajudar... Que ia ficar do meu lado. E parou de fazer tudo o que gostava, contando centavo para poder dar conta do recado e não me entristecer por estar desempregada.

Enquanto você passava mal do estômago, ofendido por tantas grosserias recentes, eu resolvi que era hora me satisfazer com pornografia. E enquanto você passava mal, eu fui rude com você e te disse que queria ir embora, de madrugada mesmo, sem me importar como é que você, o homem que sempre me ajudou, iria ficar. Eu ri na sua cara. E você vomitando. Você pediu ajuda para mim e o que eu fiz? Eu fui dormir... Porque eu queria mais que você se ferrasse... Eu te odiava e não me importava mais com você. Que você morresse, quem sabe, para me deixar livre?

Como foi escutar do meu amante que seu casamento, aquele que você lutou por mim... que me deu um lar, um abrigo, que melhorou minha condição financeira, que dispensou carinho... Como se sentiu quando ele te disse que o nosso casamento tinha acabado? Que você tinha que entender isso e ser feliz e me deixar livre para ele me comer... Ele me tratar. Ele me afundar.

E quando eu digo que enjoei de você... Que não sinto mais nada pelo seu corpo e contato... Que eu não sei o que é amor e não sei o que sinto por você... Como você se sente, depois de tudo o que fez por mim?

Se você tivesse feito esse exercício, de se imaginar antes, no meu lugar... Você teria visto a merda que estava fazendo comigo. E o quanto dói.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Já com muita saudade...

Quase 19:30.

Só quero que saiba Leonardo que eu amei você. Amei você com todos os seus dilemas e dificuldades, com toda sua pobreza material, com todos os seus defeitos físicos... Com seus pais problemáticos, sem diplomas ou carro do ano... Eu amei você menino, pelo o que você era para mim, pela mão que você me deu para caminhar de pé... Pela comida que a gente compartilhou... Pelo banco da praça.

Eu nunca mais vou conseguir passar nessas duas praças. Nunca mais vou poder olhar uma moeda... Eu tenho desespero e tenho medo, sinto vontade de voltar correndo no tempo para te abraçar novamente... Te propor mudanças, empenho... Te ajudar com seus problemas psiquiátricos... Entender você, não te humilhar... Ser vaidosa e bonita para você ter orgulho de mim...

Eu não consigo voltar no tempo Leonardo. Essa é uma frase do Matt, do meu livro, que eu escrevi para você.

29-6-16



O sentimento hoje é de medo.

Medo de não saber o que ele está pensando. Antes me incomodava, mas não me preocupava. Hoje me assusta. Depois de tantas coisas ditas eu simplesmente não consigo confiar plenamente no que ele está dizendo, quando o assunto refere-se a mim ou ao casamento.

Não sei se enquanto ele me abraça ele está pensando em nós com esperança ou se está se sentindo preso num relacionamento da qual ele deve por algum motivo manter. Talvez gratidão, talvez bom senso pelo momento dele, talvez por piedade mesmo. Eu tento confiar. Tento pensar positivo. Mas há momentos que eu não consigo. Não sei confiar do jeito que era antes.

Tenho medo de estar aqui pensando que tudo ficou calmo e voltou para o campo da esperança e ele estar lá em casa mexendo no computador em coisa que não deve. Falando com alguém. Se satisfazendo sozinho. De pensar meu coração doi, acelera, minhas pernas enfraquecem. Sinto vontade de sair daqui e voltar para casa e novamente pressioná-lo. Novamente perguntar as mesmas coisas. Uma ânsia de que em uma destas vezes ele me prove, que o espírito santo desça nas palavras dele e ele conforte de verdade no propósito de que irá tudo ficar bem entre nós em breve. Porque até agora isso não aconteceu. E eu falo cheia de dedos, morrendo de medo dele explodir e confessar que tudo isso é uma mentira, que ele quer ir embora, mas que eu não deixei.

Até me arrependo. Eu deveria ter deixado. Deveria ter deixado desta vez. Não deveria ter implorado em nenhum momento, pedido, chorado, nada... Deveria ter deixado ele ir sem me preocupar onde é que ele ia ficar e como seriam as coisas. Deveria ter ficado só no apartamento, ter chorado, ter levantado a cabeça e ter colocado as coisas dele em sacos plásticos e no mesmo dia ter entregado na casa de alguém.  E não ter mais falado com ele, ter pedido para outras pessoas intermediarem a conversa de separação. Ter sobrevivido. E deixado ele ir, ficar livre para a Naiara, para ficar em paz, para dormir na cama dele que ele sempre me jogou na cara que não havia esquecido. 

Eu iria perde-lo. Mas pelo menos não teria descoberto tantas coisas ruins que vão me acompanhar pelo resto da vida. Teria me humilhado menos. Poderia ter tomado calmantes, pedido uns dias aqui e ficado de cama, até cair a ficha de que ele tinha se separado de mim.
Quantas humilhações você me fez passar! E eu não mereci tanto assim essas coisas... Eu não mereci. Quem te deu o direito de fazer isso comigo, depois de tudo o que fiz por você?

Hoje o clima não está bom. Depois do desentendimento de ontem, porque tentei simplesmente fazê-lo relaxar um pouco, ele novamente usou o truque de me fazer gozar sozinha só para me “acalmar”. É até feio, triste, humilhante... Eu não deveria ter aceitado. Ele disse que partiu dele a iniciativa. Mas eu não deveria nem ter começado. 

Eu não sei o que faço.

Se eu simplesmente deixo a coisa “passar” em branco vamos voltar novamente para a MESMA situação de antes. Eu vou ficar na vontade e ele vai procurar outra pessoa. Ele disse que não pensa, mas se não pensasse ele não veria vídeos e não teria ido na casa daquela desgraçada para comê-la. A terapeuta diz que ele conseguiu, ele disse que não.... Mas acredito mais nela. Acredito. Porque pode não ter conseguido na 1ª. vez, mas pode ter conseguido na 2ª. tentativa. Quem os impediria disso? Se estavam sozinhos, se eu nunca o flagraria porque estava longe pra caralho desse ato vil. 

Estou insana. Meu coração dói. Não consigo trabalhar novamente. Dói demais, demais, demais. Ele está mentindo pra mim. Disse ontem mesmo que não consegue comigo, que o pau dele não sobe comigo. Que não consegue fazer nada. Que não pode fazer nada. 

Conversei cedo com ele... Um monte. Usei da melhor psicologia. Parece que entrou num ouvido e saiu no outro. Nada, absolutamente, nada o abala. Nada toca fundo nele mais. Já tentei falar de todas as formas... Nada faz com que ele desperte.

Eu acho... Com muita dor... Que isso não tem mais jeito. Que isso não vai se resolver. Que a situação morreu de uma forma que ele não quer mais ressuscitar. Ele diz que quer, mas eu não acredito. Quem quer para mim tenta. Quer quer para mim tenta passar a mão sozinho em locais para reencontrar o caminho. Quem quer não faz a cara que ele fez ontem quando disse que queria que ele tomasse banho para que eu pudesse massageá-lo. Ele riu. Já vi que ele pescou a ideia e se preocupou, ao invés de querer tentar. Queria perguntar se eu veria tv. Tudo para escapar da mulher da qual ele tem nojo.

Não quero permanecer num casamento sem sexo. Só amor não basta. Porque isso é importante para ambos, diferente do que eu pensava antes. Antes eu achava que ele não queria de jeito nenhum. Mas até me trair fisicamente ele traiu. Então ele quer. Ele quer. E não quer comigo. 

Não quero ser chifruda mais uma vez. Não quero apenas um casamento para ficar casada com alguém que pensa em outra. 

Eu não quero nem estar aqui. Não quero trabalhar. Até dar o horário da terapia para eu ver o que vai acontecer... Meu Deus. Aí penso que amanhã ele vai. E pode confessar o sacrifício que está fazendo para permanecer casado, neste casamento indiano forçado. Vai falar que pergunto toda hora se a situação está boa. Que choro todo dia. Que vira e mexe estou tendo crise e questionando as coisas. Mas o que eu posso fazer? Eu ainda to sangrando. Segurando um lenço pequeno em uma ferida aberta que sangra cada vez que ele fala algo que não soa bem ou me faz me recordar do que ele falou ou fez. Cada vez que ele me rejeita, que vejo que ele não tá afim, isso me faz sangrar. Isso me faz duvidar que isso vai se resolver. Só carinho não basta para ficarmos casados. Só abraços não bastam. Porque quando a necessidade física vier, ele vai curar com outras pessoas. E eu? Se eu tiver que curar com outras pessoas... Eu não mereço viver assim. Isso não é vida, não é. 

Por que isso não se resolve? O que fiz para ter uma situação tão vergonhosa assim em meu casamento... Quem vê eu falando parece que eu sou uma devassa... Uma mulher vulgar que só pensa em sexo, que não tem pudor algum e que só penso nisso. É assim que ele me faz sentir.

Por que não somos normais? Eu pedi tanto por esse casamento... Pedi tanto. Só queria ter uma vida a dois de companheirismo pleno. Sei que teríamos dificuldades. Mas eu não imaginava que a situação fosse ser tão lamentável assim. O que nos falta é isso. Podemos ser bons um com o outro, podemos ser compreensíveis e carinhosos... O que nos falta é isso. É ter uma noite inteira de contato pleno, de conclusões. De correr o risco de ficarmos grávidos. Desestressar os problemas com prazer. 

O dia que ele me procurar acho que vai ser o dia mais feliz do mundo para mim. Mais do que se eu publicar meu livro. O dia que ele falar vou gozar e gozar em mim eu vou me sentir a mulher mais útil do mundo.  Como eu, que sempre fui uma mulher ativa e inteligente cheguei neste ponto? Que crime cometi para me ver com sonhos tão pequenos desta forma? O que eu fiz? Eu me descuidei e não posso me descuidar mais. Preciso crescer com mulher, ser mais vaidosa. Mas isso vai adiantar para ele? Vai atingir a ele, a pessoa que desejo amar? E se não atingir... Eu vou esperar mais quanto tempo? Me enganar por quanto tempo? Sentindo-me uma criminosa, uma puta, por querer fazer amor com ele? Para daqui 3 meses ele falar que não dá mais? Que tentou, mas não conseguiu me amar novamente? Depois de eu agradar família dele, de emagrecer, de ficar passando vontade de comer as coisas, de ficar me arrumando, de ficar bancando ele em casa, de pagar passeios.

O que meu mentor fala para mim agora?

Camila, você nem começou a terapia ainda. E já está dizendo que não vai dar certo? Você só emagreceu 21 kgs, engordou gramas novamente e já se sente tentada a fugir da dieta. Você ainda não tentou, ainda não orou e ainda não procurou o centro para buscar uma solução espiritual. Ainda tem 20 kgs pela frente. Ainda tem que criar uma rotina de se cuidar, de mudar de visual. Ainda tem que conviver com a família dele e com os amigos. Ainda tem que apoiar ele de coração no seu projeto de moedas. Não temos 2 semanas de trabalho. E estamos querendo corrigir 5 anos e meio. Se você não mostrar que mudou, como ele vai tirar a imagem que tem de você? 

Faça-o se esforçar, mas por querer, não porque está pedindo. Se ele tiver que ir, você vai estar preparada. Esteja preparada. Agrade-o hoje. Acompanhe-o hoje. Não pense no amanhã. Amanhã você recomeça os cuidados diários. E assim um dia por vez. Sem falar de futuro. Sem falar de “para sempre”. Viva o dia de hoje. Amanhã você vai viver o dia de amanhã. Deixe com que ele faça planos com você. Deixe-o. Ele tem que tomar a iniciativa por querer tomar, não porque você chora ou implora. Se ele tiver que ir, ele irá. E você não vai impedir. Só pode dar motivos reais para ele não ir, caso ele não queira. Calma. Não precisa confiar plenamente, mas não pense mais nisso. Para seu próprio bem.

28-6-16

Uma coisa é fato, ninguém quer saber de verdade dos seus problemas.

Hoje não estou muito bem. Até sai bem de casa, cheguei "bem". Aí do nada me lembrei dele me falando que "o problema é que a história do Amaury confundiu ele e o fez se precipitar comigo", algo assim, não lembro das palavras exatas. Mas dando a entender que a história meio que o forçou a querer fazer algo por mim. Que talvez não fosse aquela a vontade dele, a de ficar comigo. E eu que achei tão bonita a história dele de me pedir em namoro prometendo que nunca me deixaria passar frio. Achei que era uma prova de que tinha encontrado uma pessoa boa para conviver.

Como conseguiu me enganar por tanto tempo? Falar eu te amo por tanto tempo, sem sentir isso plenamente? Joga por terra tudo o que ele falou ao longo desses anos, que eu já não sei mais se foi verdade e se perdeu, se nunca foi verdade ou se foi verdade e ele falou essas coisas agora de boca para fora.

O que dói é isso. É não saber mais nada de verdade sobre os sentimentos dele. Não saber se enquanto ele me abraça, se ele está comigo ou está pensando "tenho que suportar porque preciso ser grato". "Tenho que aguentar mais um pouco até o serviço sair e eu poder me mudar daqui". "Tenho que aguentar até o pai dela morrer, assim ficamos quites". As vezes quando ele suspira forte, eu fico com uma dor no peito. Medo do pensamento dele. Medo de estar sendo vista como uma coitada da qual ele precisa suportar mais um pouco. Medo de todos esses carinhos como "minha princesa, meu amorzinho, meu bebezinho" ser apenas um sentimento de pena de alguém a qual ele julga fraco demais para suportar o rompimento que ele deseja.

Frases que ficam girando na minha mente:

"Sinto-me num daqueles casamentos indianos forçados".
"Ela precisa deixar de ser tão apaixonada assim por mim, eu não pedi isso".
"Eu enjoo fácil".
"Eu não posso te oferecer mais nada do que isso, do que amizade".
"Eu não quero ficar com você".
"Não está dando certo"
"Eu gosto dela"
"Não tem jeito, ela mora longe, vou ficar viajando?..."
"Eu não queria me casar".
"Eu não nasci para ficar com alguém".
"Eu não vou cair nesse truque"
"Você precisa ter mais amor próprio"
"Eu gostaria de me apaixonar por você, porque não sou mais".
"Eu só posso te oferecer até aqui, não consigo ir além".

Como vou acreditar nele? Se ele pode ser apenas um preso "conformado" com a pena de se manter casado no momento até conseguir um novo julgamento. Se ele pode estar fazendo um grande sacrifício de me abraçar e dormir do meu lado, sem demonstrar o nojo que pode sentir de mim? Se isso é só mesmo um tempo que ele está dando até achar uma oportunidade de escapar. Não sei mais. Não consigo acreditar. Até tento. Ontem a noite pareceu que a vida tinha voltado ao normal. Mas hoje veio esses pensamentos, esse sentimento ruim de sobra, de alguém que está mendigando amor de alguém que acreditava ser recíproco, de alguém que tinha certeza que tinha caráter. Coisa que ele não teve comigo. Mentiu muito durante todo esse tempo, mentiras graves. Como ele pode, meu Deus, logo ele? Logo ele? Que confiei minha vida, minhas senhas de banco desde cedo, que coloquei dentro da minha casa, dentro do meu serviço, como ele, justamente ele, pode ferir tanto assim minha confiança e meu sentimento?

Será que fui tão desprezível assim que não mereci ser amada de verdade em nenhum momento, sem ele achar que tinha que ser o salvador da pátria para me suportar só para esta "coitada" não ficar sozinha chorando pelas pessoas que já a tinham machucado? Eu errei muito, muito mesmo. Mas eu também não tinha a fórmula mágica de fazer dar certo sem passar por nenhuma dificuldade. Eu não tinha a obrigação de acertar tudo sozinha.

E os meus medos? E as minhas desconfianças? E o sentimento que eu também tive de "não posso deixar ele passar por isso sozinho, posso ajudá-lo, posso amá-lo, posso fazer isso dar certo". E as vezes que eu o vi como alguém que eu precisava suportar, porque tinha dado minha palavra, que não poderia abandonar em nenhum dos vários momentos difíceis que ele passou?

Tem outra que me lembrei. A minha síndrome do pânico. Quando ele me conheceu, eu estava no ápice da minha crise. E achei que ele queria me ajudar a passar por isso. Me ajudou. Mas hoje vejo que isso também deve ter sido um "drama" a mais que o forçou a ficar comigo. Algo a mais para juntar na pena para com aquela gordinha feia que trabalhava na Vale.

Como é difícil pensar em tudo o que passamos juntos e não saber mais o que foi real...

20-6-16



Talvez eu saiba o que aconteceu, mas ainda não entendo o porque chegou nesse ponto, se poderia ter sido conversado ou alertado bem antes.

Não vou negar que estou destruída, abalada, decepcionada, envergonhada, constrangida, violentada, enganada, julgada, ofendida, enciumada, destituída, descrente, desconfiada e desanimada.  Eu não pensei que pudesse sentir tantos sentimentos em uma única vez.

Já tivemos problemas. Já tivemos discussões. Mas depois que ele começou a falar que “não estava dando certo” eu comecei realmente a me preocupar. E esta frase é para mim hoje a pior que existe no mundo. Porque joga por terra todos os esforços, por mais tortos que foram, que eu fiz em prol dele e do nosso relacionamento.

Sinto-me num poço de ingratidão. E acredito que amor é gratidão também. Você respeitar a pessoa pelo o que ela é e o esforço que ela faz por você. E eu fiz. Tenho apoiado em diversos momentos. Quando eu o conheci, ele não tinha um emprego fixo. A situação em sua casa era a pior possível. Mal tinha roupas. Não dirigia, não tinha carro. Andamos de ônibus várias vezes. Paguei contas. Comprei roupas. Nunca exigi presentes, apenas bilhetes e palavras. Aceitei o estrabismo dele, ajudei com que encontrasse um emprego, estive lá quando ele operou do olho, aceitei quando soube que a ex dele tinha tido o filho que ele dizia que ela perdera. Aceitei quando começaram as desculpas para não se ter contato físico íntimo. Aceitei o desaforo da mãe dele quando tentava salvar o seu emprego, suportei a pressão no meu próprio trabalho para que ele também pudesse ganhar seu próprio dinheiro. Ajudei no que eu pude com a doença do pai dele. Aceitei quando ele foi rude na hora de comprar a nossa aliança de noivado. Perdoei tantas vezes. Acreditava que isso era prova suficiente para manter o nosso relacionamento, para fazê-lo forte. E eu estava enganada.

Não foi a falta de emprego. Com o luto do pai recente e ainda trabalhando, ele foi procurar uma pessoa em outra cidade, sendo que sempre me garantia manter-se em compostura. Eu acreditava. O que me doi e muito é isso. Eu acreditava. Achava que ele era um santo, alguém acima dessas fraquezas e canalhices humanas. 

Dói muito, doi demais pensar nele xavecando uma pessoa, sabendo que eu estava em casa preocupada com ele. Sem dormir direito enquanto ele viajava. Eu não dormia direito. Me preocupava tanto com seu bem estar. E ele se envolvendo com uma mulher qualquer. Diz que falou com ela uma semana, arquitetou o encontro na próxima semana, decerto até comemorou ter audiências para lá, ficou ansioso por viajar... Hoje penso que ele falava que adorava Uberlandia. Me rasga, me fere, me destroça imaginá-lo na porta da casa desta vagabunda, desta desgraçada, fazendo xaveco e aceitando para entrar, indo em farmácia comprar preservativo... Tirando a roupa. 

E eu, onde eu estava?

E eu, onde fiquei nisso?

Eu estou errada de querer dar uma chance. Se eu analisar tudo o que ele já me fez sofrer, ele não merece. Estou destroçada e sei que ele nunca vai entender a minha dor. Tenho os meus erros, sei que relaxei, sei que fisicamente estou um trapo, não apenas por estar gorda, mas descuidada, sempre com as mesmas roupas velhas e sem nenhuma produção. Sei que já o humilhei muito ridicularizando seus sonhos, deixando de ouvi-lo e impondo minha vontade em muitas vezes... Sei de tudo isso. Mas eu, por mais que tenha pensado ou sentido vontade, eu não fiz isso. Por mais que também veja vídeos ou tenha um brinquedo, só fiz isso porque ELE não me acompanhava. Hoje sei que estar gorda foi uma prisão. Foi. Se eu tivesse legal, talvez teria sido eu a trair. Teria sido eu a pular fora desse relacionamento que eu sempre me doo mais do que ele. Ele me acorrentou nessa gordura. E buscou o seu escape fora enquanto eu fiquei na jaula da vergonha, do medo, da insatisfação. 

Essa mulher é melhor do que eu? Ela não é, eu duvido. Diz que só estuda, tem 10 anos a menos do que eu. Diz que é loira. Mais ou menos magra. Uma voz de biscate. O que mais me dói? Ela sabendo da minha vida. Sabendo que meu pai tá doente, sabendo que passei mal e ainda dizendo que “falou para ele” que era algo que eu tinha comido. Veio me dar conselho, dizendo que era para eu entender que o meu casamento tinha acabado. Só faltou eu ter “amor próprio”. Ela, que não passou por NADA do que eu passei com ele, por NADA, dizendo que eu tinha que entender...

Quando passei mal, ele não demonstrou importância. Demonstrou irritação. Queria dormir. Mandou eu ficar deitada. Quando acordo, vejo ele vendo pornografia. Em todos os dias, tinha que ser mesmo naquele? Onde estava o mínimo de respeito pelo ser humano doente em cima da cama, tendo que ir trabalhar no outro dia? Onde estava o mínimo de carinho, o resto de afeto pelo ser humano que por muitas vezes segurou a mão dele para que não caísse? Fiquei abalada. Levemente esperançosa no início, por um breve momento, que aquilo fosse o início da “cura” do problema da falta de interesse. Aí ele vem me dizer que via. Que sozinho... Conseguia. Que o problema era eu. Que comigo não queria. Pergunto para ele “você quer ficar comigo” e ele diz “não”. Passo mal. Muita dor. Me humilho, peço chances, imploro. Ele descontente, irritado, enfadado. Deixo mensagens. Peço para ele refletir sobre nós. Prometo mudanças. No sábado de manhã peço para ver o celular, ele corre.

Eu já sabia que era medo.

Aí me confessa que estava conversando já 2 meses. Que era só conversa. O caos. Diz que eu tenho que entender que não dá mais. Que não pode me oferecer mais do que amizade. Caos. Fala que vai embora, meus irmãos entram no meio. Volta. Aí acaba me confessando que esse caso de dois meses ia fazer 1 ano. Que a beijou. Quando? Quando viajava. E vem me dizer que tentou dormir com ela. Quase 1 ano conversando com essa desgraçada nas minhas fuças. 

Onde eu fiquei? Dando força. Perdeu o serviço, estava eu lá dando força. Meu dinheiro, seu dinheiro.

Eu não tenho palavras. Ele não me merece. Não sei mais o que sinto. Se é amor, se é pena de saber que se eu o deixar ir, ele pode cair logo mais. Se é desejo de reconquistá-lo para meu próprio ego, de provar a mim mesma que sou capaz. Se é medo de ficar sozinha. Se é tristeza em ver as pessoas falando mal dele para mim, como tentaram fazer logo de imediato. Se é por saber que ficarei encalhada depois disso. De saber que não darei conta de morar na mesma casa que construí junto com ele. De não querer voltar para casa da minha mãe depois de ter tomado esse passo. De ser separada. Das pessoas falarem de mim, do nosso fracasso. De descomprimir uma missão espiritual. De vê-lo na ruína. Ou de vê-lo bem, sem mim.

É muita dor. Uma sensação de que não poderei nunca mais confiar nele, por mais que eu queira tentar confiar. De nunca mais acreditar no “eu te amo” que ele me disser, sem saber se é forçado, se é no momento e se no outro dia ele será retirado. Se ele esconde mais coisas dentro de si. É muita decepção junta. Não consigo conceber destruir do que consertar. Talvez minha visão religiosa me atrapalhe, mas acho mais humano tentar, abrir o coração e ser sincera. Eu fui demais. E ele?

Falando para mim que eu deveria ter mais amor próprio. Chegando a rir nos meus momentos de desespero. Um verdadeiro monstro que eu não imaginei que ele pudesse chegar a ser comigo. Cruel. Frio. Insensível. Pedi um abraço um dia em meio ao desespero e ele falou “não vou cair nesse golpe”.

Meu medo é maior. Mas sinto vontade de terminar com ele. Ter a coragem de terminar só para ver se isso realmente o faria acordar para a tragédia que ele provocou. De ver ele realmente apavorado em ver a separação acontecendo. Correndo atrás de verdade. Para eu ter certeza de que essa tentativa da qual ele diz é de verdade, é o que ele quer. Como vou saber? Tenho medo de aceitar isso e isso fazer com que ele se sinta livre e venha com aquele papo de “foi melhor assim” como o Rafael fez comigo. Achei que ele ia correr atrás e ele correu de mim. Com o Rafael eu lutei pouco. Meu trauma de lutar pouco me faz ser assim com ele hoje. Medo de entregar meu relacionamento para o outro decidir por nós e eu ficar arrasada, destroçada.

Isso não é um namoro. Não é tão simples assim. Temos coisas juntas. Dinheiro envolvido. Nome. Papéis. Coisas que compramos juntas que tem significado. Um nome de casal perante a sociedade. Dívidas. Endereço compartilhado. Senhas. As pessoas sabem que somos casados. Perguntam dele para mim. Minha sobrinha chama ele de tio. É melhor destruir do que tentar salvar? 

Ele diz que o objetivo é se apaixonar por mim novamente. Porque hoje ele não é mais.

Muito medo...

Estou com muito medo.

Ontem fui na terapia e contei tudo o que aconteceu nesse final de semana de carnaval. E a terapeuta ficou muito preocupada com suas atitudes e disse que irá te confrontar hoje às 19:00 para saber o que é que você realmente quer comigo.

O medo é enorme e me perseguiu durante todo o dia. Medo de você, ao ser questionado, dizer que prefere enfim se separar. Que não dá mais para você. Que é melhor assim.

Medo de confessar para ela que está me traindo novamente. Buscando outras satisfações que você não quer buscar em mim, de jeito nenhum. 

Se você soubesse como eu estou aqui, agora... São 18:31. Olhando para nossa casa, pensando que você pode chegar daqui a pouco dizendo que infelizmente me traiu novamente, que não consegue mais ficar comigo, que não quer se recuperar desse mal que te assola... A nossa decoração sendo desfeita, as coisas que te pertencem indo embora...

Para que, amor? Se o que ficar para mim não terá mais sentido algum. Se nada do que sobrar aqui dentro não for me fazer mal, de lembrar... Do que falta... Do que ficou, mas que tem dedo seu na história...

Eu choro, sem forças, porque ontem chorei demais.

Você me perguntou essa noite, que temo que tenha sido a nossa última noite juntos, você me abraçou, você disse que tava tudo bem, pediu para eu não chorar... Mas foi difícil dormir, porque eu fiquei imaginando que essa poderia ser a nossa última noite.

Eu to aqui amor rezando e chorando para que não tenha sido a última... Que você volte dessa terapia hoje comprometido a nos dar de verdade uma chance para sermos FELIZES... Coisa que o mundo não nos deixou e a gente permitiu! 

Eu sempre te admirei pela coragem. Você foi o homem mais corajoso que eu conheci. Que lutou por mim. Você me deu segurança, mesmo sem nenhum tipo de recurso, você me fez sentir segura. E tudo o que eu queria num homem era isso. Eu nunca quis dinheiro... Nunca quis ter vida de madame. Eu achei que a gente fosse superar tudo.

Tudo, meu amor.

Doenças... Falta de grana. Desemprego. Perdas familiares. Decepções. Achei que a gente ia ser forte para tudo. Você me fez acreditar nisso.

Se você está lendo isso agora, longe daqui... Sem falar comigo, sem saber de mim e dos seus filhos... Se você está aí, sabe se Deus onde e como... Leonardo, por que você desistiu da gente?

A gente não tinha nada e conquistou tudo junto.

A gente tinha sido enganado pelos antigos pares e a gente prometeu nunca se enganar.

A gente veio aqui nesse apto decorado e sonhou... Em ter nosso espaço. Em crescer. Eu imaginei tantos jantares aqui dentro, amor... Que eu não fiz. As coisas que eu comprei e que eu nunca usei.

Por quê? Desistir de mim é a coisa mais fácil que você fez na vida?

Sinto tanto medo. Os minutos passam... Eu estou o dia todo só com algumas frutas no estômago. Comer é um pecado para mim, que achei que você ia me ajudar a resolver. Mas eu falhei. Preferi comer para compensar o sexo que não fizemos.

Eu nunca te neguei nada. E nunca fui vulgar. Eu me deitei com você e fui honrada, mas nunca fui careta. Se meu corpo não te agradava, por que não me ajudou a consertá-lo? Eu não fiquei atoa esses anos todos de relacionamento. E eu tentei emagrecer, mas aconteceram coisas que me desmotivaram.

Eu te pedi no começo de 2016 que era para você ter paciência. E eu já tinha emagrecido mais de 20 kgs. E ai veio o baque. Bebi bastante para tentar amortecer os pensamentos. Comi coisas fora de casa, na ânsia de sair para te agradar. 

Eu não fiquei atoa. Eu sofri esses anos todos trabalhando, com dores. 

Eu poderia ter morrido no final de 2016. Poderia ser você agora... Pensando "porra, por que não fiz isso para a Camila enquanto eu podia... Porra, eu deixei ela chorar tantas vezes".

"Como queria que ela estivesse aqui segurando minha mão..."

Você não se atentou disso. Ontem à noite eu chorei lembrando sabe do que, amor?

Daquele domingo horrível que passei tão mal e que você ficou comigo de noite. Segurando a minha mão, só nós dois no nosso sofrimento particular... Passou o reclame do Roberto Carlos e choramos juntos, com fé que aquilo fosse passar, agradecendo a Deus de certa forma por ter tido a oportunidade de nos aproximarmos de verdade... Seus olhos, meu Deus... Eram os mesmos daquele menino que ia me buscar de pé no serviço...

Eu pensei comigo: Eu sabia que ele não ia me decepcionar... Que ele era a pessoa certa para mim. 

Isso não é sentimentalismo, embora eu confesse que estou arrebentada... Eu nem sei se você lerá isso. Mas agora eu não tenho com quem falar... Tenho tanta vergonha de confessar aos meus pais e irmãos que você me maltrata desse jeito... Logo você que todo mundo achou que fosse tão bonzinho. Eu tenho vergonha por mim e por você. Ainda penso na sua honra... 

É difícil para mim aceitar que você preferiu ser um mau caráter do que aquele menino bom que ia lá me buscar de pé, com tanto sacrifício... Que mesmo sem condições financeiras comprou o Lambrusco para comemorar o meu SIM para o namoro.

Eu sinto tanta falta... Tanta falta daqueles dias de outono e inverno... Que a gente não tinha nada, a não ser paixão e querer bem um pelo outro.

Sinto falta das poucas vezes que transamos... Você foi atencioso, foi bom. Romântico, ousado... Foi o melhor homem que eu conheci.

E que infelizmente deve ter ido embora da minha vida... Preferiu dedicar seu carinho, seu sexo... Sua vida para outra mulher ou para a solidão.

Vamos envelhecer Leonardo. Eu e você. E ai, vamos lembrar do que, que a vida passou... Que a gente fracassou um com o outro... Que desistimos. Que você me enganou, me traiu... Abriu mão da nossa casa, dos nossos amigos, dos nossos filhotes.

A vida deles é pequena demais. Se você sair, eles vão esquecer de você. Porque quem ama cuida... Fica junto. Supera.

Eu escrevo com tantas lágrimas... Tanta dor e medo... Me pergunto o que fiz de tão errado assim, fora meu corpo feio de natureza e de descuido... O que fiz de tão errado assim. Sinto-me uma deformada.

Achei que você fosse a pessoa que me faria sentir valorizada.

Estou sofrendo muito. Se ler essas palavras, de duas uma: Ou você foi embora da minha vida... Ou você me fez esquecer todo esse sofrimento e eu tive coragem de mostrar para você o monstro que você foi para mim um dia.

Tanto medo. São quase 19 horas.

Você tem alguém? Está transando com alguém? Passo mal de imaginar. Eu já vivi essa sensação, é enlouquecedora. Você não sabe como é... A gente sente vontade de morrer. A gente não respira mais, não dorme mais... Eu fiquei dias e noites com medo, vigiando e você me enganando ainda por cima... Eu rezava, chorava escondida... Não dava conta de trabalhar, só pensando em vocês dois me enganando...

Eu estava trabalhando... Você pensou nisso? Que eu trabalhava por nós dois? Que eu não era a atoa que aquela maldita era... Eu não tinha o tempo dela, a safadice dela... Eu trabalhava por nós dois, para que você não se sentisse humilhado ou fosse humilhado por ninguém. 

Você me prometeu que ia corrigir isso tudo... Que tudo ia ficar bem. Que tristeza imaginar que daqui a pouco você vai desistir de mim, da Carambola e do Bisteca. Para viver uma vida maravilhosa de falta de compromisso, arriscado a pegar uma doença ou engravidar uma mulher aproveitadora... É assim que acontece.

E se você encontrar outra mulher que você acha que vai ser melhor do que eu... Eu já vou te avisar: Ela não vai te suportar. Porque muita coisa que eu suportei de você foi pela minha fé. Pela minha força moral. Nenhuma mulher vai suportar isso, ouvir as coisas que eu ouvi de você... 

Vou deixar aqui, por ordem de dia, o que eu escrevi para mim mesma quando soube da sua traição... Que tristeza me ver na mesma situação, na mesma dúvida... Mas desta vez com você distante.